Não tem flores em casa, Maria! Nem sombra de pétalas, o vento levou, levou cheiro, levou cor, levou beleza. Só restaram espinhos secos espalhados pelo chão. Eu te falei que viria, eu te falei que chegava e você fez pouco de mim. Agora cheguei e me arrancas gotas quentes para tingir teu chão, vim sedento por beleza e me recebes com dor? Trouxe na bolsa o regador, trouxe esteira e violão, trouxe tudo o que precisas: paciência, compaixão. E, Maria, onde estão as flores?
Vou dar meia volta, querida, e por ora procurar outro jardim.... fique aí com teus espinhos, com seu cinza e seu marrom, eu vou caminhar atrás de almas lépidas, sinestesias e dejávus. Para te dar outra chance, vou fingir que foi sonho, desvario e coisa e tal. E quando eu voltar - e eu hei de voltar - vai ser tudo diferente, eu sei que vai, me receberás com flores amarelas e batom vermelho, hálito de primavera e olhos de sol ardente.
Não, não é intransigência ou capricho meu, é condição, convicção. Olha como minha barba está cheia! Estive andando por lugares tão impressionistas que meu coração se comprimiu e meus olhos ainda demoram a desembaçar. Então, Maria, vê se me entende, não zanga comigo, pois você para mim só há de ser alegria. Preciso de cores vivas, criança, de odores ornando os ventos e brisas que me trarão a malícia de teu sorriso. A cada passo, cada vislumbre, quero experimentar a superação de uma agrura.
Portanto, pequena, vista-se de flores. Varre estes espinhos e as dores, use-os para aromatizar a lareira de nossos desejos, que meus pés já conhecem suficientemente os caminhos do sofrer. Quando eu novamente voltar te ajudarei para que não te sintas submissa, e verás que tudo não passa de um templo para tua graça. E me perguntarás, malemolente, histórias de onde vim, mas te contarei as mais belas mentiras, as mais doces fantasias, pois onde há flores a realidade se torna apenas um detalhe fosco.
Só então entenderá o porque de minhas necessidades. Quando passarmos os dias a escrever poesias em nossas peles, a nomear cada pétala que quedar ao chão de infinitos bem-me-quer, a inventar canções que nasçam e morram no tempo que durarem. Verás minhas lembranças de um passado infeliz se esvair como um mau agouro que se deixa de crer. E em pouco tempo, minha pequena, minha doce, minha santa Maria, estarei leve e livre para rodar contigo em intensas valsas, desenhando espirais com nossos pés descalços entre as pétalas na terra molhada.
ÔH Mariaaaaaa!!!!
ResponderExcluirvou salvar pra mim esse texto belo que não é meu.
ResponderExcluirQue seja belo teu jardim, moço Tacio, outra vez.
ResponderExcluir(f)
ResponderExcluirte trago flores, se assim quiser pequenito.
Eita eita amigo Tacio..
ResponderExcluirDentre tantas flores e Marias... a que te causas dor e lhe mostra espinhos e a que lhe faz voltar... Não seria o amor?! Afinal de qual mil faces teria se enfeitado, entre rosas e rodas, cantigas e mandingas... amor e dor.. lado a lado, fazendo um coração alado sempre apaixonado na caminhada da vida...
PS: Adorei seu texto.
¬¬
hoje eu realmente senti. fiz a maria por uns dias e só hoje soube.
ResponderExcluirOie Tácio! Visitando seu blog! Que prosa mais gostosa de ler... Roda Maria, Canta Maria e se enfeita de flor!
ResponderExcluirAbraços!