Palmas - 11/07/09 - 22:07 -/ Depois de uma longa e calorosa despedida com direito a 2 garrafas de vinhos europeus, acusações bilaterais de murrinhagem que no fundo só queriam dizer "sentirei saudades" e de ter meu quarto, idiossincrasias e sentimentos saqueados escancaradamente, embarquei e parti no ônibus da Novo Horizonte com destino à Feira de Santana - BA. Nas entrelinhas disso tudo não posso deixar de lembrar como foi e sempre é tenso ir do centro à rodoviária, com duas mochilas pesadas, na garupa do Paulinho - um cara que conseguiu cair de moto duas vezes na mesma noite. Como uma forma sutil de agradecimento por chegarmos são e salvos à rodoviária, não pude deixar de convidá-lo para me acompanhar em mais uma latinha de Skol. Já na estrada chega-me uma mensagem que aconselha: tem certas coisas que não precisa agradecer. Não era o Paulinho.
Seabra - 12/07/09 - 12:47 -/ Ah! Como é bom poder comprovar, novamente, que a Bahia é interminável! Ainda bem que meu sono também se estende pelo horizonte. Após a escala em Barreiras às 5:30, muitos solavancos e algum frio, paramos em Seabra para o almoço. Mensagem para a família comprovando minha integridade física e (quiçá?) mental. Checo minha pouca verba e constato que precisarei economizar um pouco - terei que pegar outro ônibus em Feira de Santana e tenho uma idéia muito vaga do preço da passagem. Vamos lá: uma colher rasa de arroz, uma concha rasa de feijão, 3 pedacinhos de cenoura cozida, 4 rodelas de tomate, 3 folhas de alface e uns 7 coraçõezinhos tostados de frango. R$ 5,55 ... e uma conversa com meus companheiros de ônibus sobre como tudo em Palmas é muito caro; explico minha solução: economizar o máximo nas refeições, comendo em lugares de qualidade e higiene duvidosos, para que sobre uma graninha pra beber. Ninguém é de ferro, compro uma latinha para ilustrar meu exemplo e ajudar na digestão.
Feira de Santana - 12/07/09 - 19:35 -/ Enfim em Feira! O motorista nos desova meio que em frente da rodoviária sem nem adentrá-la, deve estar atrasado, o sacripanta. O terminal da cidade não me aparenta ser um lugar muito seguro ou amigável... vou logo aos guichês e compro uma passagem para dali a duas horas, destino Juazeiro, ainda Bahia. Por insegurança, e por ter sobrado um pouco de grana da passagem, procuro o guarda volumes e me livro da mochila maior antes de me aventurar a conhecer melhor o terminal rodoviário, quem sabe tomar um banho... Não! Cena estranha no banheiro. Ensaio adentrar o recinto, mas os olhares mal encarados de quatro caras que me observam pelos espelhos e pelas cabines abertas me fazem recuar. Espero impacientemente do lado de fora, mas ninguém sai de lá. Resolvo entrar no banheiro ainda assim, os caras continuam todos no mesmo lugar. Um deles encosta a porta por onde eu acabara de entrar, tento não olhar pra lugar nenhum, mas fico tenso e percebo (ou penso perceber) que eles estão me observando. Finjo que meu celular tocou e saio a passos largos de lá... eu heim! Saio como um frouxo, mas não fico num banheiro com quatro caras mal encarados (e possivelmente bem dotados!) nem com a porra. Como um sanduba e tomo uma cerveja pra desestressar. Compro uma bebida mix de guaraná com açai e gynseng e vou para a plataforma esperar o ônibus que chega 9 minutos atrasado, partimos às 21:40, ao meu lado uma moça de grandes proporções com seu simpático e sonolento filhinho que se esparramava confortável nas carnes fartas da mãe.
Juazeiro/Petrolina - 13/07/09 - 04:03 -/ A maldita bebida energética que tomei antes de embarcar não me deixa dormir! Azar dos meus vizinhos de poltrona que são obrigados a aguentar durante todo o percurso a luz de leitura acesa e minha inquietude desajeitada. Bom para minha leitura. Consigo adiantar umas 130 páginas do imenso livro de Gay Talese que conta genialmente a complexa e interessante história do New York Times (O Reino e o Poder / Cia das Letras / 2000). Rodoviária de Juazeiro, entro no primeiro táxi que vejo, ansioso por atravessar o Velho Chico. Sem olhar para trás dou o comando: - Para Petrolina, meu bom homem!
ah, quero te invejar e fazer um diário de bordo também. posso, menino?
ResponderExcluirposso dizer pra ter juízo também em plena terra bahiana?
que seja, feliz, Julho!
Bah, e eu que queria um diário pelo menos de uma volta pelo Bacuri
ResponderExcluireu tenho um diário de bordo também, mas nunca postei e nem é tão bem feito, o meu são detalhes. achei divertido e tenso o seu. besoss
ResponderExcluirUUU... Quantas supresas essa viagem ainda nos guardará...rs
ResponderExcluirPS: Mais uma das leitoras de seu diário de bordo ansiosa pelos próximos cápitulos..rs
Proveita por nois ai...
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