segunda-feira, 13 de julho de 2009


Ontem o sol não saiu, porque em mim é sempre escuro.Ainda que escapem raios de luz entre as rachaduras da madeira velha e podre de minha casa, em mim é sempre encuro.Mesmo que lá fora exista o som de risos e casais e crianças e brincadeiras que só se fazem sob os olhos do sol, é tudo ilusão, é tudo um baile de fantasmas tristes, é tudo menos que sombra, como aquelas que na infância invadiam o quarto com desenhos tenebrosos de demônios risonhos.Em mim é sempre escuro, é sempre um soar constante das doze badaladas. Em mim é sempre noite, uma noite sem estrelas, sem lua e sem os escravos boêmios da lua, sem flautas chorosas perdidas na distância,sem os medos e solidões que galopam noite adentro, em mim não existe noite adentro, só existe aqui o vazio da noite, a anti-noite, a meia-noite. É sempre uma véspera de pesadelo, sem o acordar assustado em que finda todos os sonhos ruins, em mim é sempre um quase acordar de susto, um quase agonizar, um mundo torto de possibilidades mil que nunca chegam a nada, que nunca passam de quases, que perambulam aqui dentro com olhos esbugalhados e entoam lamuriantes canções de ninar.
Mas eis que surge, no meio de minhas noites eternas, entre uma escuridão e outra, algo que não cabe em mim, que nao podia estar em mim, que me fere por existir e teimar em estar lá, estranho a tudo que me define, inexplicável a todas as respostas que guardo e que apesar do avesso continua ali, tímido, entre os becos do meu ser, sob o céu inexistente de minha noite infinda, um feio e desafiador girassol.



Só com o Tacio postando aqui o nível intelectual-poético-diabético disso tava muito alto
comigo o negócio é mais embaixo ...

4 comentários grátis!:

  1. Estranho como as vezes em sinto assim.
    Belo texto, mas espero que teus sentimentos não sejam esses...
    beijos

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  2. quase ultraromântico; adoro.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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