sexta-feira, 4 de junho de 2010

Esquizofrêmite.












foto by George Georgiou



***sugiro que leia-se o poema ouvindo a versão falada no player abaixo


quanto mais se fala em versos
é de avesso que aconteces
como se fosse um consenso entre as partes
"viro pra um lado e sigo
viras pro outro e segues"

silenciados tememos regressos
de encarar subterfúgios da alma
de vislumbrar o lamento dos signos
revisitar a feiúra das marcas

é este acesso faminto ao fomento de nós
é esta varíola louca
num vascular vasculhar nos torna sós
pós, nas paredes carcomidas de mágoas
nos tapetes-frangalhos dos nosso olhos de nódoas

num arremedo de humanidade forçada
faz-se simbiose o que é paralelo
prende em um só corpo o que não iguala em nada
pretende cerrar em nós o nosso frágil elo
no metafísico que o cerne comum encerra

partimos nós, como o que é oposto
definindo embates na distância posta
que finda na colisão de nossas faces:
"te devoraria, me devorarias"

(...) farrapos de essência em posição fetal
abraçamos-nos um ao outro, cravados em unhas...

fracos para subjugar
fortes para morrer
um ying-yang fulgás
a sopa primordial do esquecimento de um ser


***espere carregar todo antes de ouvir
Esquizofremite by taciop

5 comentários grátis!:

  1. se não soubesse que não se finda aqui diria que este é o melhor. mas caso o findar seja eu, por precaução, digo: este é o melhor.

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  2. "viro pra um lado e sigo

    viras pro outro e segues"

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Muito esquizofrênico! *-*

    (deslumbramento pelo que ouvi também.)

    "silenciados tememos regressos
    de encarar subterfúgios da alma
    de vislumbrar o lamento dos signos
    revisitar a feiúra das marcas"

    trata-se exatamente disso, que minhas paredes foram tão carcomidas de mágoas.

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