sábado, 28 de agosto de 2010

me deixe só 
não sou valente
o bastante
para ser de companhia

me deixa quieto
que há ferrugem na carcaça
que há ranço no pigarro
e há cansaço na vontade

me deixo só
q'eu preciso me largar
tenho de me abandonar
pra saber do que sou feito

não faça o que eu não faria
me deixe só
não mendigue meu afeto

me deixe só
minha cama está quebrada
eu preciso ficar quieto

me deixe só
com os abutres da razão
me deixe ilha

me deixe só
toda presença é um nó
e para nós não tenho verbo

me deixe à toa
que a fé é pouca
a guerra é vã
a luta é boa

(...)


não diga nada
é minha obstinação
dê meia-volta
bata a porta

e
me
deixe

5 comentários grátis!:

  1. dá pra fazer uma música. vanessa da mata perderá feio.

    ResponderExcluir
  2. Um velho amargurado sentado na cadeira de balanço tão velha quanto ele, resmungando pela ausência da morte.

    ResponderExcluir
  3. Saber ser amargo é como mascar fumo...uma arte em extinção!!
    O mundo tá cheio d gente estressada, mas um bom remorso, uma amargura profunda, é coisa pra poucos!

    ResponderExcluir
  4. se for por poemas deste.. eu lhe deixo tacinho

    ResponderExcluir