terça-feira, 21 de setembro de 2010

anti-ode profética

"fique você com a mente positiva, 
eu quero é voz ativa, essa é que é 
uma boa" (Belchior)


 sua política confusa
pulveriza minha massa ideológica
ojeriza seu pretenso statu quo
assimila nossos livres radicais

sua retórica difusa
apodrece meu martelo auricular
avermelha meu cinzento encefálico
entorpece-me os princípios cervicais

sua excelência obtusa
depaupera
verborrage
exonera 
retroage
tudo o quanto há de vir

tu 
putrefacta medusa
não és hidra
inebria-te de teus ganhos 
o lucro
abstrai-te logo em teu memento mori
pois não tarda 
que já chega o nosso expurgo


"Senhor cidadão, queremos saber, 
com quantos quilos de medo 
se faz uma tradição"
 (Tom Zé)

4 comentários grátis!:

  1. Ô Tácio, eu gostei deste poema!
    Lembra que eu disse que vc fazer um poema político me lembra outro poema do Leminsk?!
    É esse:

    eu queria tanto
    ser um poeta maldito
    a massa sofrendo
    enquanto eu profundo medito

    eu queria tanto
    ser um poeta social
    rosto queimado
    pelo hálito das multidões

    em vez
    olha eu aqui
    pondo sal
    nesta sopa rala
    que mal vai dar para dois

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  2. Poesia bela, forte e escancarada. Sem muitas palavras, me encantou com seu aspecto nervoso e contundente. Cumpriu e estrapolou seu dever artistico de abalar as estruturas.

    (Ivan Silva)

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  3. ainda bem que eu e esta medusa aí temos sua poesia pra ilustrar o 'momento mori' tão belo e ressentido. de fato somos criaturas de sorte e com bastante coisa na cabeça, rs. você chega a ser ridículo de tão bom cara.

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  4. a sua força vem em palavras, a sua força vem em teus dedos, uma mistura de catarse com diarréia mental/verborragia é lindo, Tacio; sua força é a distorção solta em palavras/

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