segunda-feira, 29 de novembro de 2010

cantada às avessas (ou "ode ao platonismo")



Você é tão doce...

tão doce, tão bela e tão quente

que abro mão de te querer

E deste amor que é criança

- que gosta de brincar

de se esconder,

de aprontar e chorar

e correr -

quero te poupar para te manter




Despetalei todo bem-me-quer,

já é distante o bem-me-quis incerto

Você é tão doce,

tão bela e tão quente

que me quero sempre ausente

que te quero sempre por perto




Você é tão quente,

doce e bela

e meu amor um encanto maçante

que abdico de ser teu

amante

que este amor - um palhaço dançante -

só há de te olhar da janela.