sexta-feira, 17 de junho de 2011

do poço

Tela de Kátia Muñoz


há um diabo dentro de mim
que me rói em cada veia,
cada víscera
e que corrói em cada palmo minha alma

há um demônio que me inflige pensamentos
que na penumbra d'outros dias
me ancoraram
e no rubor de minha tez se amarrotam

não há pudor que da agonia se me ausente
deste satã que crava as unhas em minhas costas
e não se arranca nem que a espinha se arrebente
e não se esvai até que a alma esteja em postas

é um cortejo indescritível de abismos
pelos quais trôpego e roto tenho andado
e esse zunido que abocanha minha mente
e os entredentes perfurados por coriscos
que saem das asas desse satanás alado

e em impossível se livrar do que é de dentro
pois que impossível expurgar-se por inteiro
tal qual esfinges que devorem-se a si mesmas
e regurgitem-se a si mesmas em respostas
serei no inferno capataz e prisioneiro
de um eterno retorno a conta-gotas

5 comentários grátis!:

  1. Tácio Pimenta nos olhos dos outros é refresco..

    ResponderExcluir
  2. meu diabo tá com raiva, jurava que era o único.

    ResponderExcluir
  3. Apesar de meus olhos já terem passado aqui 3 ou 4 vezes desde que tu postaste, não consigo nada pra dizer.
    Vou tentar ser impessoal, mas não consigo!
    Então não vou dizer nada além de "li e gostei"

    ResponderExcluir